A bexiga é um órgão alojado na pélvis e tem a capacidade de se expandir e como função está a responsabilidade de armazenar a urina produzida pelos rins. Todo o sistema urinário, incluindo rins, ureteres, bexiga e uretra, é revestido internamente por uma camada de células transicionais, chamado uretélio. O uretélio está separado dos músculos da bexiga por uma faixa fina de tecido chamada lâmina própria. O comprometimento dessa lâmina pelo tumor separa tumores que tenham se infiltrado no músculo, constituindo um câncer invasivo, daqueles que não o invadem (cânceres superficiais ou não invasivos).

Há três tipos de câncer que começam nas células que revestem a bexiga. A classificação se dá de acordo com as células que sofrem a alteração maligna:

*Carcinoma de células de transição: representa 90% dos casos e começa nas células do tecido mais interno da bexiga;

*Carcinoma de células escamosas: afetam as células delgadas e planas que podem surgir na bexiga depois de infecção ou irritação prolongada, representam 8% dos casos;

*Adenocarcinoma: começa nas células glandulares (de secreção)  que podem se formar na bexiga depois de um longo tempo de irritação ou inflamação, são mais raros, constituem 2% dos casos;

Quando o câncer se limita ao tecido de revestimento da bexiga, é chamado de superficial. Ele começa nas células de transição e pode se disseminar através do revestimento da bexiga, invadindo a parede muscular e se alastrando até os órgãos próximos ou gânglios linfáticos, transformando-se num câncer invasivo.

Outros tipos de câncer podem se iniciar na bexiga, porém são mais raros, e incluem sarcomas e tumores anaplásicos de pequenas células. No Brasil, estima-se que 3,9% dos cânceres masculinos sejam de bexiga, sendo 8600 novos casos por ano. É 2,5 vezes mais comum no homem do que na mulher. A média etária para o seu aparecimento é de 68 anos.

Para diagnóstico do câncer de bexiga, após o exame físico, o médico poderá indicar um ou mais dos seguintes procedimentos: exame de urina, exame laboratorial para identificar sangue ou células tumorais e cistoscopia (introdução do cistoscópio através da uretra). Geralmente este procedimento requer anestesia. A identificação de lesões suspeitas indica a realização de biópsia. Em alguns pacientes é possível retirar toda a área neoplásica durante a biópsia, no mesmo tempo cirúrgico.