Após o
tratamento cirúrgico do câncer de mama, seja a mastectomia ou a quadrantectomia
associadas ao esvaziamento dos linfonodos da axila, pode aparecer o linfedema de
membro superior, que geralmente é tardio ao tratamento. O linfedema pode ser
definido como todo e qualquer acúmulo de líquido, altamente protéico, nos
espaços intersticiais, seja ele devido à falhas de transporte, por alterações da
carga linfática, por deficiência de transporte ou por falha da proteólise
extralinfática.
Pessoas com esta condição podem ter problemas significantes, incluindo
desconforto, dor e dificuldade funcional da extremidade afetada, e a sua
descoberta precoce pode poupá-las de um atraso na implementação do tratamento.
Tem sido relatado que mulheres com linfedema têm mais desajustes psicossociais e
psicológicos quando comparadas com grupos de mulheres com câncer de mama que não
têm linfedema.
O trabalho da fisioterapia é importante, tanto na prevenção quanto no tratamento
desta enfermidade. Segue abaixo algumas orientações para
a prevenção do linfedema:
1.
Não ignore qualquer pequeno inchaço no braço, mão ou dedos (consulte o seu
médico imediatamente).
2.
Nunca tome injeção ou retire o sangue no braço do mesmo lado da cirurgia.
3.
Verifique a pressão arterial no braço não afetado ou na perna, quando os dois
braços estiverem afetados.
4.
Mantenha o seu braço sempre limpo. Use loção hidratante após o banho. Tenha
certeza de que todas as dobras do braço estejam secas e também entre os dedos.
5.
Evite movimentos vigorosos e repetidos com o braço afetado.
6.
Evite carregar objetos pesados. Nunca carregue bolsas ou malas por cima do ombro
no lado afetado.
7.
Não use roupas, jóias ou tiras elásticas no braço afetado.
8.
Evite mudanças de temperaturas extremas durante o banho ou ao lavar a louça, e é
recomendado evitar saunas e banheiras quentes (ou mantenha o braço afetado do
lado de fora). Proteja sempre o braço do sol.
9.
Tente prevenir qualquer trauma (machucados, cortes, queimaduras de sol e outras
queimaduras, contusões de esporte, picadas de inseto, arranhões de gato) no
braço afetado (fique atento a sinais de infecção quando isto ocorrer).
10.
Use luvas ao fazer os serviços domésticos, jardinagem ou qualquer outro tipo de
trabalho que possa causar qualquer pequeno machucado.
11.
Quando for fazer as unhas, evite retirar cutículas (informe a sua manicure).
12.
Exercício é importante, mas consulte o seu fisioterapeuta. Não deixe o seu braço
cansado: se sentir dor, repouse o braço.
13.
Quando viajar de avião, use uma braçadeira de compressão feita sob medida.
14.
Pacientes com mamas grandes devem usar próteses mamárias leves (próteses pesadas
podem colocar muita pressão nos gânglios do pescoço). Use tiras/alças macias
sobre o ombro.
15.
Use um aparelho elétrico para remover os pelos da axila. Tenha o seu próprio
aparelho e troque-o sempre que necessário.
16.
Cuidado: se você perceber uma erupção, coceira, vermelhidão, dor, aumento de
temperatura ou febre, procure o seu médico imediatamente. Uma inflamação ou
infecção no braço afetado pode iniciar ou agravar o linfedema.
17.
Mantenha o seu peso ideal através de uma dieta bem balanceada. Evite fumar e
ingerir álcool. Linfedema é um edema rico em proteína, mas ingerir pouca
proteína não irá reduzir as proteínas do líquido linfático, ou melhor, isto pode
enfraquecer os tecidos conectivos e piorar a condição. A dieta deve conter
proteínas de fácil digestão (consulte uma nutricionista).
OBS: Esses cuidados são necessários apenas com o(s)
membro(s) acometido(s).
O fisioterapeuta oncológico é um profissional
habilitado para o trabalho em equipe realizado conjuntamente com outros
profissionais de saúde no Centro de Terapia Oncológica de Petrópolis (CTO).
Qualquer dúvida nos procure.
Regiane Alves Soares – CREFITO 2/45862-F
Renata Lopes Pacheco – CREFITO 2/50424-F
Referências Bibliográficas:
Bergmann, Anke. Prevalência de linfedema subsequente a tratamento cirúrgico
para câncer de mama no Rio de Janeiro. 2000. 142f. Dissertação (Mestrado em
Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, 2000.
Freitas Jr., e cols.
Linfedema em Pacientes Submetidas à Mastectomia Radical Modificada.
Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 23, n. 4, p. 205-208,
2001.
National Lymphedema Network.
Disponível em:
http://www.lymphnet.org/prevention.html Acesso em janeiro de
2001.